O que é um biodigestor?

O biodigestor é um equipamento utilizado no reaproveitamento de dejetos orgânicos, como fezes e restos de alimentos, que normalmente são descartados de diversas formas no meio ambiente. Este acelera o processo de decomposição da matéria orgânica descartada, por meio da ausência de oxigênio, transformando os dejetos em biofertilizantes e assim possibilitando diversas melhorias para seus usuários.

O seu funcionamento é simples: por um sistema de entrada, o biodigestor recebe a matéria prima descartada, que leva tal conteúdo até um recipiente vedado, para que este não entre em contato com o ar atmosférico. Essa ausência de ar permite a ação de bactérias anaeróbicas, que metabolizam o conteúdo inserido e, após um tempo de retenção, produzem biofertilizantes (matéria prima após a ação das bactérias), biogás (uma mistura de dióxido de carbono e metano), além de liberar um lodo que não tem utilidade e deve ser recolhido por um caminhão limpa-fossa periodicamente. Cada um dos insumos produzidos é devidamente alocado para um compartimento separado do equipamento para que futuramente possam ser recolhidos e utilizados. 

O uso do biodigestor pode ser muito vantajoso pois leva à uma economia nos custos mensais de seus usuários ao permitir que estes, por exemplo, utilizem o gás liberado como alimento para um gerador ou aquecedor, assim como também utilizem o biofertilizante para adubagem. Não só isso, mas também o uso de um biodigestor tem um impacto positivo em relação a questões ambientais, já que está envolvido em um ciclo de reaproveitamento de forma ecológica. A economia gerada por esse depende do quanto este é utilizado, baseado na capacidade do modelo adquirido, e na quantidade de equipamentos implantados.

Existem quatro modelos de biodigestores: o modelo indiano, o modelo chinês, o modelo canadense e o modelo batelada. Cada um atua de uma forma diferente, dependendo do interesse do usuário para escolher o modelo que mais se encaixa em suas necessidades. A seguir serão feitas análises dos modelos em questão:

 

Modelo Indiano

 O modelo indiano apresenta uma campânula como gasômetro, que pode estar mergulhada sobre a biomassa em fermentação, ou em um selo d’água externo, além de uma parede central que divide o tanque de fermentação em duas câmaras. A função da parede divisória é de fazer com que o material em uso circule por todo o interior da câmara de fermentação. O modelo também atua com uma pressão de operação constante, ou seja, a medida que o gás produzido não é utilizado, este é deslocado verticalmente, movimentando a campânula que aumenta o volume do equipamento e assim mantém a pressão interna fixa. Apresenta uma instalação facilmente aplicável, porém de custo um pouco mais alto devido ao gasômetro de metal necessário para sua execução.

 

Modelo Chinês

O modelo chinês apresenta uma câmara cilíndrica em alvenaria para a fermentação, com teto abobado destinado ao armazenamento do biogás. Ele funciona com base no princípio de prensa hidráulica, de modo que aumentos de pressão em seu interior resultantes do acúmulo de biogás resultarão em deslocamentos do efluente da câmara de fermentação para a caixa de saída, e em sentido contrário quando ocorre descompressão. A característica desse modelo exige que o gás seja utilizado com mais frequência, a fim de evitar tanto o impacto ambiental negativo pelo lançamento do biogás direto na atmosfera, quanto o desperdício do mesmo. Sua aplicação é mais barata que a do modelo indiano por não necessitar da campânula de metal, contudo pode ocorrer problemas com vazamento do biogás caso a estrutura de alvenaria não seja bem vedada e impermeabilizada.

 

Modelo Canadense

O modelo canadense se diferencia dos demais por apresentar uma maior extensão ao horizontal de alvenaria maior do que vertical. Tal disposição permite que a estrutura esteja em maior contato com o sol, aumentando assim a produção de biogás. É constituída por uma câmara de fermentação subterrânea revestida com lona plástica,  uma manta superior para reter o biogás produzido de modo a formar uma campânula de armazenamento e por uma caixa de saída onde o efluente é liberado, além de um registro para a saída do biogás e um queimador, que fica conectado ao registro de saída do biogás. É muito utilizado no Brasil por poder ser utilizado tanto em pequenas como em grandes propriedades, porém apresenta o risco de que a lona possa rasgar, no caso de alguma abrasão, permitindo a vazão do gás armazenado.

 

Modelo Batelada

 

O modelo batelada é composto por um sistema simples e de pequena exigência operacional. Sua instalação poderá ser feita apenas com um tanque anaeróbio ou com vários tanques em série. É abastecido apenas uma vez, mantendo-se em fermentação por um determinado período para a produção de biogás, até que esta seja completamente encerrada. Nesse modelo, a biomassa permanece no reservatório até que o ciclo de digestão anaeróbica esteja completo, ou seja, quando se tem o fim da produção de biogás indicando que o biodigestor esta apto a receber uma nova carga de matéria orgânica. Este tipo de biodigestor se adapta melhor quando a disponibilidade de resíduo ocorre em períodos mais longos, como por exemplo em grandes fazendas.

Os biodigestores podem ser instalados em casas, estabelecimentos comerciais, sítios, chácaras ou qualquer outro local com necessidade de tratamento de esgoto domiciliar. No caso de indústrias, também há a opção da instalação destes, porém o esgoto descartado deve ser apenas aquele que não é tóxico, já que assim prejudicaria o processo de biodigestão anaeróbica.  

 

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Autor: Luan Donadio Afonso

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